domingo, 29 de maio de 2011

Lei Rouanet.

É importante como futuros profissionais atuantes na área da museologia possamos compreender questões relativas ao incentivo à cultura e principalmente o que isso tem haver com isenção fiscal. A Lei Rouanet em linhas gerais é um lei que permite que empresas possam investir na cultura com a prerrogativa de isenção fiscal, algo que no primeito momento parece difícil de compreender e que ao analisarmos com atenção: a empresa que investe na cultura pode se promover e ainda investir o dinheiro que estaria destinado a receita federal no que deseja. E os museus estão dentro dessa política cultural, as empresas podem investir em nossos museus. Logicamente, que existem pontos positivos e negativos acerca da lei Rouanet, entretanto devemos estar antenados sobre as políticas públicas e culturais que ocorrem no Brasil. 

Para entender mais a Lei Rounet acessem  Lei 8.313 e  o Blog da Rouanet.

Abaixo disponibilizo uma reportagem da Comunicação do MinC.

Nova Lei da Cultura

Proposta de substituição da Lei Rouanet chega ao Congresso Nacional

Fonte: Comunicação MinC
Data: 28/01/2010

Assinado pelo presidente Lula, Projeto de Lei será apreciado pela Câmara dos Deputados
na volta do recesso parlamentar
O Projeto de Lei que substitui a Lei Rouanet (Lei nº 8.313/1991) entra na pauta do Congresso Nacional no retorno do recesso parlamentar, em fevereiro. Nessa quarta-feira, 27 de janeiro, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, encaminhou à Câmara dos Deputados o texto que torna a lei da cultura mais abrangente e dinâmica.
Seus objetivos centrais são ampliar os recursos da área e, ao mesmo tempo, diversificar os mecanismos de financiamento de forma a desenvolver uma verdadeira Economia da Cultura no Brasil.
Em linhas gerais, as principais novidades são a renovação do Fundo Nacional de Cultura (FNC), reforçado e dividido em nove fundos setoriais; a diversificação dos mecanismos de financiamento; o estabelecimento de critérios objetivos e transparentes para a avaliação das iniciativas que buscam recursos; o aprofundamento da parceria entre Estado e sociedade civil para a melhor destinação dos recursos públicos; e o estímulo à cooperação federativa, com repasses a fundos estaduais e municipais.
Financiamento
A nova lei transforma o Fundo Nacional de Cultura (FNC) no mecanismo central de financiamento ao setor, criando formas mais modernas de fomento a projetos. Garante-se, assim, que os recursos cheguem diretamente aos proponentes, sem intermediários e com maior participação da sociedade, por meio da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que dará origem a comissões setoriais.
Em 2010, como parte de um processo de transição, o Ministério da Cultura se prepara para a implementação da nova lei. O FNC, por exemplo, recebeu dotação orçamentária recorde, acima de R$ 800 milhões, e fará repasses a fundos estaduais e municipais, impulsionando a cooperação federativa.
Dentro do FNC serão criados oito fundos setoriais: das Artes Visuais; das Artes Cênicas; da Música; do Acesso e Diversidade; do Patrimônio e Memória; do Livro, Leitura, Literatura e Humanidades, criado por lei específica; de Ações Transversais e Equalização; e de Incentivo à Inovação do Audiovisual. Eles se somam ao já existente Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).
Transparência
O Projeto de Lei cria um sistema público e transparente de critérios tanto para o acesso aos recursos do FNC quanto do incentivo fiscal. Estado e patrocinadores serão estimulados a aprimorar seus mecanismos de relação com os produtores e artistas com a divulgação de critérios claros para avaliar a dimensão simbólica, econômica e social para o uso do recurso público.
Com base nas diretrizes anuais da CNIC, cuja função é avaliar tecnicamente os pedidos de aprovação de incentivo fiscal, serão criadas comissões setoriais, com composição paritária, formadas por especialistas representantes dos diversos segmentos culturais e com ampla participação da sociedade civil, garantindo a preservação de um patrimônio recentemente conquistado pela sociedade brasileira: a liberdade de expressão. Esse processo também vai agilizar e aperfeiçoar o sistema de análise dos projetos.
Novas modalidades de acesso
Além do fortalecimento do Fundo, o Ministério da Cultura inseriu na proposta da nova lei formas de aprimorar o sistema de avaliação de projetos e diminuir a burocracia. Além do convênio, serão concedidas bolsas e prêmios. A prestação de contas será mais simples, com foco nos resultados do projeto e não apenas em seus aspectos contábeis.
No Projeto de Lei, pessoas físicas e jurídicas, com ou sem fins lucrativos, passam a ter direito de apresentar projetos. A natureza cultural deve estar agora na iniciativa, não no proponente. Ficará estabelecido o prazo de 30 dias para que o Ministério da Cultura conclua a avaliação do projeto cultural.
Investimento
Com o objetivo de atender toda a diversidade cultural brasileira, a proposta da nova lei diversifica, também, os mecanismos de investimento e apoio. Entre elas está o ‘endowment’. Trata-se de um incentivo para que fundações culturais – museus, orquestras e outros equipamentos – constituam um fundo permanente de aplicações de longo prazo, com o objetivo de obter sustentabilidade, estabilidade financeira e diminuir a dependência da renúncia fiscal em sua modalidade atual.
Outro mecanismo é o Fundo de Investimento em Cultura e Arte (Ficart), no qual os investidores se tornam sócios de um projeto cultural. O Ficart ganha agora o incentivo que o tornará atrativo e viável, o que a lei atual não permite.


E você?  O que pensa sobre isso?

7 comentários:

  1. Curiosidade: O nome da Lei Rouanet leva o nome do secretário de cultura do governo Collor, Sérgio Paulo Rouanet(1991-1992).
    Acessem a biografia dele: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=170&sid=177

    ResponderExcluir
  2. Collor só me lembra a Maria Cecília Londres falando sobre o desmantelamento da cultura, que ocorreu no governo dele.
    A lei Rouanet é sim uma medida afirmativa, mas por si não basta como várias leis da cultura e outras leis que temos...vamos assistir e usar da melhor forma possível enquanto não fazemos outra melhor. =(

    ResponderExcluir
  3. Para uma lei de incentivo a cultura realmente dar certo no Brasil, ela tem que ter como prioridade a cultura, e não a arrecadação financeira, como é o caso da Lei Rouanet.

    ResponderExcluir
  4. Um dos principais problemas é a falta de entendimento dos editais e a falta de conhecimento de como fazer um projeto. Cruzemos os dedos para que a nova lei seja aceita, para que toda a diversidade brasileira possa finalmente ser financiada e garanta representividade no âmbito cultural.

    ResponderExcluir
  5. É interessante saber que o novo projeto de lei adquire mais investimento federal sobre a cultura. Talvez assim os museus nao fiquem mais tao abandonados quando os ''amigos do museu'' ( uma das melhores entidades que pude pesquisar) fizerem projetos para a melhoria de seus museus por meio do Estado.

    Mas agora vem o perigo: Será que a ambiguidade de palavras (o que ocorre em qualquer lei) pode promover projetos que nao valem tanto investimento assim, como o blog da Maria Bethania?

    ResponderExcluir
  6. Bom, também acho importante mais investimento federal na cultura. Explico melhor. Primeiro, os profissionais dos museus acabam moldando seus projetos por causa dos caprichos do empresariado, isso não é bom. Segundo, o financimento é obtido por meio de impostos! Isso é um absurdo! Olha ai o caráter paliativo da lei Rouanet. Eu acredito que muitas pessoas ainda pensam na cultura como gasto e não investimento. Essa mentalidade vai mudar quando houverem mais financiamentos espontâneos. Não vale o prestígio dado aos empresários se a intenção nem é a cultura em si. Quero ver o dinheiro ser tirado direto da fonte, e não dos impostos.

    ResponderExcluir
  7. A Lei Rouanet pode ser de grande ajuda para os museus, que infelizmente no nosso país parecem ser instituições esquecidas pelo governo. Como foi apontado nas aulas, a falta de entendimento da lei não só por empresários, mas também por contadores, advogados e os diversos profissionais envolvidos pode ser prejudicial para que esse investimento chegue aos museus. É importante que os museólogos entendam a lei e mostrem que ela pode ser lucrativa para as empresas e de apoio para a cultura nacional.

    ResponderExcluir