Os museus e a arquitetura devem andar juntos para complementar-se, prestigiar um ao outro e tornar os espaços de cultura funcionais e propícios para seus fins.
Será que essa é a realidade?
Com o advento da arquitetura, são cada vez mais comuns as construções de caráter psicodélico que são chamadas de museus. A construção civil evoluiu muito para que formas incríveis possam ser construídas.
Mas cabe então, para quem é da área da Museologia, a reflexão: o que passa a ser mais importante? O prédio do museu ou a missão da instituição museológica, seu acervo e suas ações educativas? Talvez os dois!
A questão é que já existem muitos casos em que museus com uma arquitetura exuberante podem fomentar a economia de uma região, instigar a curiosidade das pessoas sobre museus, trazer o aumento de verbas para a cultura, etc.
Entretanto, o projeto e o arquiteto podem acabar sendo mais importantes do que aquilo que está sendo exposto. Podem existir centros nos quais seu interior é oco, ou seja, seu conteúdo é irrelevante, desinteressante ou mal trabalhado; ou também casos onde o público prefira apreciar o prédio em si do que a narrativa que está sendo contada "lá dentro", por melhor que esta seja.
Qual é a opinião de vocês? Alguém conhece algum caso sobre isso?
Imagens:
- Museu Nacional (Brasília)
- Nuralgic & Contemporary Art Museum (Itália)
- Museu Mercedes Benz (Alemanha)
- Museu de Arte de Denver (USA)
- Centre Pompidou de Metz (França)
- Museu Guggenhein de Bilbao (Espanha)
- Casa de Cultura em Graz (Áustria)
fonte de pesquisa: http://georgezix.multiply.com/reviews/item/26







Já vi muita gente se decepcionar ao entrar no Museu Nacional com um monte de expectativas e encontrar uma exposição meia boca.
ResponderExcluirFachada de museu é propaganda também, que nem capa de livro. Não dá para acreditar que só porque o museu é bonito por fora vai atrair gente. Isso é só para turista e olhe lá. Quem vive perto tem que gostar e voltar!
Dica de um espaço bacana e bem aproveitado por gente da cidade: http://www.dragaodomar.org.br/
Há quem diga que isso é bom e que se trata de um novo desafio, mas o "duelo" entre arquiteto e museólogo acaba se tornando uma discussão sem fim onde o mais forte (sabemos bem quem é) vence e a comunidade acaba perdendo por vaidades, caprichos ou até mesmo um desejo de fazer o melhor possível... produzir para o espetáculo é com certeza um problema: é como um casamento "show" demais que perde o foco, as atrações são muito mais prestigiadas que os olhares apaixonados e os votos.
ResponderExcluirTemos como museólogos que nos adaptar às diferentes culturas e discursos o tempo inteiro, temos isso até por obrigação moral, temos que respeitar e adaptar tudo visando sempre o visitante, e um dos principais problemas da arquitetura, que vejo em alguns casos é justamente ao contrário: alguns arquitetos querem que as pessoas ocupem o espaço, mas, sua vontade supera o objetivo de que esse espaço seja adequado. É um desafio? com certeza, mas,um desafio precisa de possibilidades para ser vencido e já que estamos nessa de sermos ignorados várias vezes, criar novas possibilidades é necessário.
Os tempos mudam, e eles mudam porque nós recebemos diversos "empurrões históricos" e temos que no adaptar, essa é a grande sacada da vida, da vida além geração: a dinâmica que todas as gerações provocam, tombamos as coisas porque o resto muda e queremos uma mostra. Quer coisa mais temida e cheia de expectativas que o futuro? Vamos nos adaptar e buscar diálogo, quem sabe essa é a hora em que damos um grande salto na expografia?
Os visitantes serem atraídos pela arquitetura exterior do museu é fato. Isso ocorre principalmente (mas não somente) entre os visitantes leigos, digamos assim, aqueles que entram por curiosidade porque achou bonito, mas nem sabem do que realmente se trata e o que é exposto lá dentro.
ResponderExcluirPorém nem sempre o que tem dentro de algo que é espetacular por fora, corresponde à essa elegância e modernidade toda. Pode acontecer de haver uma exposição "meia boca", como a Laura disse. Assim como também pode acorrer o contrário dessa situação.
Deve-se levar em consideração também que é algo muito relativo, pois depende muito do pensamento, do olhar e do interesse daquele que está visitando e do país o qual o museu se encontra. O que é interessante e bonito para um, pode não ser para outro.
Em suma, acho que não é válido julgar o conteúdo de um museu pela aparência externa.
E, para mim, quanto a arquitetura e o conteúdo/missão museológica devem ter grau de importância iguais.
Percebo que o caráter monumental é um atrativo que não deve ser desprezado pelos museus, mas a forma arquitetônica não deve prevalecer à função para a qual está sendo concebida, sob o risco de perder o seu sentido. Para evitar esse equívoco, o ideal é que arquiteto e museólogo trabalhem em cooperação mútua e estreita, dimensionando adequadamente função e forma.
ResponderExcluirQuanto ao conteúdo e sua apresentação, são questões a serem discutidas inicialmente com o arquiteto, mas a continuidade do trabalho museológico é responsabilidade do museólogo.
O exemplo de museu futurista, que conheço e vivencio, é o Museu Nacional, que atrai o público pela forma, mas o cativa pelo conteúdo que apresenta.
Por mim o prédio pode ser bonito o que for, mas tem que ser funcional.
ResponderExcluirÉ claro que a arquitetura é a primeira que chama atenção do público, fazendo com que mais gente visite o museu. Mas não basta ter que fazer da arquitetura uma arte, se o que está feito dentro do prédio não tem um bom espaço expositivo.
Acredito que o "duelo" (como diz minha colega, Allice) entre o museólogo e o arquiteto sempre acontecerá, e na maioria das vezes um vai sair "prejudicado", mas provavelmente sendo nós, museólogos. (Quem disse que o Grande Oscar, irá mudar algo de seu projeto original para favorecer a museografia do espaço?)
obs: Devia ter colocado a imagem do MAC de Niterói, outro grande projeto de Oscar N.
Laura, gostei disso que vc disse: quem mora perto do museu tem que frequentá-lo! É uma pena que isso não aconteça, pois está no imaginário das pessoas que não é necessário ir ao mesmo museu mais de uma vez, afinal, "tudo estará do mesmo jeito".
ResponderExcluirAllice, eu fico frustrada com o tal arquiteto "egoísta"; eu não entendo porque o espaço que vai se transformar em museu não pode ter como equipe o arquiteto e o museólogo! Eles trabalham separadamente, dificultando muito o trabalho porterior educativo, expográfico, etc.
O duelo belo x funcional é real, afinal a arquitetura muitas vezes é considerada mais importante que a museologia. Alguém conhece mais algum caso? Na minha opinião, é assim com o Museu Nacional.
O que percebo com está arquitetura de museus "extraordinários" é uma personificação do museu "templo", local onde habita o sagrado.Além de ser um local que funciona como entretenimento.
ResponderExcluirE nesses super lugares, o que sobra aos sacerdotes (museólogos), na maioria das vezes, é adaptar seu ofício às circunstâncias impostas pelo edifício-templo.
Enfim, nessa queda de braço entre museólogos x arquitetos, a vitória-solução é o diálogo, em detrimento da imposição de um só discurso, como de praxe.
esse tipo de projeto arquitetônico monumental,em muitos casos, se integra muito bem a proposta do museu. O edifício já funciona como parte da exposição, em alguns casos é até mais interessante que a própria exposição. Esse tipo de museu atrai turista, movimenta a economia e tal, mas é como a Laura falou, eles são só para turistas. O museu tem que ser integrado à comunidade, as pessoas ao redor do museu tem que conhecer o museu, se apropriar mesmo, eu acho que dessa forma, atraindo e servindo para a comunidade, o museu cumpre bem a sua missão.
ResponderExcluirPenso que um museu com um grande caráter arquitetônico consegue atrair um público com muita mais facilidade do que um simplesinho museu sem toda essa arquitetura. Lógico que há casos e casos, e não se pode idealizar um conceito. Mas a questão em que entramos é que às vezes esses grandes museus acabam se tornando como ponto turístico arquitetônico, e acontece de perder o valor da instituição museológica. Um visitante que vai há Europa, Paris, com certeza irá ao Museu do Louvre por ser o mais conhecido e ter uma polêmica de sua arquitetura. Porém o Louvre consegue conciliar essa questão, pois o seu acervo é regado por obras primas, todos vão quere conhecer a Mona Lisa. Os museus Orgânico, acredito, “perdem o valor” de abrigar uma boa exposição, e passa a ser conhecidos como um monumento bonito e diferente por ser arquitetonicamente moderno e ousado. O visitante que vai ao Museu de Arte Contemporânea de Niterói certamente o visita por ser uma obra de Oscar Niemeyer, por ter uma vista bonita do Rio de Janeiro ou por vários outros fatores, desconhecendo a exposição, e o acervo que o museu abriga. Acredito que a instituição museológica deve saber ligar com essa problemática e trazer mais conteúdo ao museu do que deixar a “caixa” falar mais que o próprio museu.
ResponderExcluirAcredito que a arquitetura nos museus monumentos, é uma parte importante e deve ser entendida como tal, mas deve-se buscar o equilíbrio entre a arquitetura e os trabalhos museológicos desenvolvidos. É de entendimento que neste duelo Arquiteto x Museólogo,deve-se buscar um dialogo. Pois afinal de contas o monumento é um museu , que que devido a arquitetura arrojada acaba atraindo um grande publico para a instituição.
ResponderExcluirA parte engraçada nisso tudo é a falta de conciliaçao, acho que alguem comentou aí quando li, sobre a o arquiteto que nao pensa na questao expográfica, na açao educativa, etc...
ResponderExcluirporque na verdade, o arquiteto ve um edifício como obra de arte, acredito, pois ele está criando coisas novas, logo, se está sendo criado um museu de arte contemporanea, ele vai querer que seu edifício seja parte do acervo deste novo museu...
Eles sao chamatativos? sao! Fazem uma boa propaganda? FAZEM! (apesar de ter medo do último citado, que parece mais um alienígena...)
Entao acredito que se um arquiteto pensa no edifício de um museu como obra de arte, ele também deve pensar nas consequencias deste pensamento, na relaçao das obras de arte junto com o desing dos museus, para nenhum chamar mais atençao que o outro, e sim ter uma completa harmonia, criando uma linguagem interligada com o objetivo do museu.
Se os Museus utilizam da atratividade de oferecer "lanches" para atrair público, não somente isso, mas variáveis recursos, o prédio também sempre foi um ponto atrativo, não só as construções modernas, apesar delas serem o "alvo de investimento", anteriormente com grande frequência os grandes prédios monumentos foram apossados pelos museus (Museu Nacional, Museu Imperial, Museu da Inconfidência, etc)
ResponderExcluirEssa discussão antiga, que ainda nos aflige na construção dos novos prédios com arquitetura moderna. Considero que o conjunto prevalece, porém o museu jamais deveria se apoiar em sua arquitetura para garantir público, ele deveria aproveitar esse espaço para explorar o todo da missão da instituição museológica, seu acervo e suas ações educativas.
Mas vejamos o caso do Museu Nacional do Niemeyer, eu sempre adorei ficar vendo o céu de Brasília pela rampa suspensa do museu principalmente no final do dia, sei que pode ser exagero, mais fechar aquela passagem é o mesmo que tampar os vidros do Museu de Niterói, era o diferencial do museu, não que sua arquitetura supere o que existe dentro do museu.
E hoje ainda me pergunto, se muitas pessoas desconhecem que embaixo da rampa existe outro espaço expositivo, porque não existe acesso entre os dois espaços? Porque diminuiria o ar da graça de subir a rampa do Museu Nacional? Seria até mais funcional, porém cada um com sua estratégia.
Bom, acho que o grande problema que existe hoje em relação à funcionalidade dos museus se deve pela falta de diálogo entre os profissionais das diversas áreas. Quando um arquiteto é chamado para fazer um projeto de um museu, vê ali uma oportunidade (muito rara) de usar a sua criatividade e concretizar idéias e formas que normalmente não são aceitas em outro tipo de edificação. Apesar disso, não podemos achar que o arquiteto não pensa na funcionalidade do edifício, afinal durante cinco anos de faculdade o que se aprende é que arquitetura não é apenas a "casca", mas os espaços por ela criados. O problema é que os espaços funcionais conhecidos pelos arquitetos nem sempre são os espaços mais adequados para uma reserva técnica, uma sala de exposição ou um programa educativo.
ResponderExcluirComo na maioria dos casos o arquiteto não é acompanhado por um museoólogo(e nem tem a oportunidade de ser), faltam dados para que ele possa pensar melhor os ambientes.
E não adianta pensar: "ahh pq ele não foi pesquisar?"
Se nós, em 4 anos de faculdade ainda teremos milhares de dúvidas, o que pode conhecer um arquiteto em apenas alguns meses de criação??
Além disso, não podemos pensar somente em funcionalidade, porque como tantos outros já comentaram, a forma do museu chama a atenção do público. Se a funcionalidade fosse a única preocupação , todos os edifícios poderiam ser iguais. O estranhamento e a surpresa são necessários em alguns casos.
O ideal é que durante todo o processo de criação de um edifício o arquiteto pudesse contar com a participação do museólogo, assim como de outras áreas que façam parte da equipe de um museu, até mesmo para a criação de um programa de necessidades (usado para fazer os anteprojetos de arquitetura)que possa nos atender de maneira eficaz.
Eu penso que tem que ficar claro qual é intenção do museu. Caso seja somente a arquitetura, então pronto, é válido. Toda a gestão da instituição vai ser voltada para isso. As coleções podem também demonstrar esse caráter, será interessante. O que não pode ocorrer é uma tentativa errada de mescla dos dois. Vai ser dor de cabeça para os museólogos e também para os arquitetos, pois são interesses diferentes. Tem que haver posicionamento por parte dos responsáveis envolvidos. Não tem como criar um museu como uma arquitetura espetacular, mas nada funcional por dentro. Ou um ou outro. Caso seja viável a equilíbrio entre os dois, melhor ainda.
ResponderExcluirQuanto a questão da arquitetura de um museu ser um atrativo, concordo em partes. Creio que existe um fator social/cultural que determina de certa forma esse aspecto.
ResponderExcluirA monumentalidade exuberante de um museu modernista da mesma forma que funciona como atrativo para certo público podendo ''fomentar a economia de uma região, trazer o aumento de verbas para a cultura, etc.'', questões basicamente econômicas que demonstra vim de uma parcela da população de classe econômica/social e consequentemente cultural privilegiada, que não estão preocupadas no educativo do museu pois já possuem educação de qualidade, porém, pode haver resultado contrário com uma outra parcela da população, o edifício extraordinário pode intimidar o indivíduo que não tem familiaridade com espaços culturais. Como se comportar dentro desse tão grandioso monumento, como se vestir, como falar, se tem que pagar, essas são algumas questões que penso afastar a espontaneidade de alguns visitantes, a pessoa não frequentará um ambiente que não se sinta a vontade, que não se identifique. A relação de estreitamento entre arquitetos e museólogos deve englobar também a sociedade. Arquitetos + museólogos + sociedade.
O Museu Guggenhein de Bilbao faz um papel muito importante, de chamar para a cidade turistas do mundo todo, para contemplar a beleza do seu museu e assim a cidade como um todo. A beleza exterior de um museu é importante justamente para isso, atrair pessoas para o visitarem, mas tão importante é o interior do museu, ou seja, o que está sendo exposto. A forma exterior do museu também não deve ofuscar o que está sendo exposto. Para que isso aconteça é necessário o diálogo entre museólogos e arquitetos, que sempre é muito difícil.
ResponderExcluirAcredito que a missão da instituição, seu acervo e aquilo que está sendo passado pelas exposições são os aspectos mais importantes em um museu. Entretanto, em alguns casos, a arquitetura pode não só funcionar como um atrativo aos visitantes, mas também como um auxílio à narrativa que se quer passar, tornando-se parte integrante do projeto de comunicação do museu.
ResponderExcluirAcho que um bom exemplo disso é o Museu Judaico de Berlim (http://www.jmberlin.de/), cujo prédio, um palácio do século XVIII, recebeu uma adição contemporânea que possui o formato de uma Estrela de Davi desconstruída. O mais interessante no Museu é que, nesse novo prédio, existem dois túneis subterrâneos, um com a temática do holocausto e outro com a temática do exílio, onde é iniciado o percurso proposto pelo Museu. Nesses túneis, onde são apresentadas e expostas histórias reais, o chão é irregular, causando uma sensação de instabilidade e ao final deles encontram-se dois memoriais: o jardim do exílio e a torre do holocausto. Ambos, pela sua arquitetura, causam sentimentos de opressão e isolamento muito grandes e acredito que isso influencie muito na forma como os visitantes interpretam e absorvem as exposições a partir de então.
Apesar de pensar que este é um resultado bem sucedido da relação entre arquitetura e museus, acho que é de extrema importância que haja uma comunicação precisa entre o arquiteto e a instituição, de forma que a o prédio seja interessante e convidativo sem deixar de lado a funcionalidade.
Apesar dos avanços da relação entre museólogos e arquitetos, infelizmente, ainda há muito que caminhar para se conseguir chegar a um consenso que agrade ambos os lados - uma arquitetura "exuberante" que contenha todos os pré-requisitos necessários para um bom trabalho dos museólogos, como, por exemplo, espaços expográficos e reserva técnica, nos padrões mínimos de exigência para uma boa salva-guarda do acervo.
ResponderExcluirNa minha opinião, sim, a arquitetura influencia muito na constituição de um museu, auxiliando na construção da proposta sócio-educativa da instituição,na museografia e no número de visitantes de um museu.
Qual é, e qual será a quantidade de pessoas que visitarão o Museu Nacional única e exclusivamente devido apenas a sua impressionante arquitetura e localidade, e que ao se depararem com as exposições se decepcionam, pois esperavam encontrar algo "diferente" e "impactante" (como a Laura disse). Não basta ser apenas um monumento, é preciso haver um trabalho externo e interno visando um diálogo entre museologia e arquitetura.
Acredito que essa discussão ultrapassa muitas barreiras temporais; o imaginário social construído sobre os museus é ainda do museu monumento, e, mesmo com as quebras de paradigmas, os arquitetos continuam recrudescendo esse imaginário, apenas modelando-o para a sua contemporaniedade. Porém, o que não se pode perder de vista é esse anseio por um trabalho conjunto e amistoso entre essas áreas. O diálogo sempre se fará necessário para a construção de um bom trabalho.