Ultimamente eu tenho me deparado com formas criativas de se pensar o museu e seu espaço. O público procura uma interatividade com o mundo cultural e acaba tendo acesso a ele muitas vezes virtualmente. Muitos sites e propostas são muito inovadores e instigam a curiosidade de amantes de museus e até mesmo de pessoas que não são visitantes usuais.
Começo citando o Museum of Me, da empresa Intel (www.intel.com/museumofme). O site, em conjunto com a rede social Facebook, colhe informações como fotos, vídeos e links que o usuário posta todos os dias e reúne tudo isso em um ambiente virtual extremamente agradável. A impressão que se tem é que estamos mesmo caminhando por um museu grandioso que conta a história de uma pessoa. Vale a pena conferir e participar, pois a ideia é simples e esteticamente muito bonita, além de um monumento ao ego.
Já o Google lançou recentemente seu belíssimo Google Art Project (www.googleartproject.com). Ele atualmente explora 17 museus e seus acervos e espaços físicos. É possível visitar sala a sala de museus grandiosos da Europa e dos Estados Unidos e ver detalhes de obras que são obras primas. Além disso, o usuário tem a liberdade de criar pastas pessoais com informações e imagens do acervo disponível no site. Eu considero essa uma ideia excelente para que quem gosta de arte e é da área de Museologia, como nós.
Fora do âmbito virtual, cito o Museu da Favela (MuF - Rio de Janeiro). Segundo seu site www.museudafavela.org, o museu é um testemunho vivo de memórias e patrimônio dos moradores daquela comunidade. Ele situa-se dentro da favela e conta sua história desde quando foi criado. A meta é musealizar o local inteiro. O Museu possui ações que visam integrar os jovens para tentar afastá-los da marginalidade. Esse é o exemplo de uma proposta inicialmente "assustadora" (no sentido da dificuldade de realizá-la) que tem dado certo.
Meu objetivo com esse post é a reflexão sobre diversos tipos de espaços que podem ser musealizados de forma funcional e cativar a curiosidade de um determinado público e promover uma grande interação entre o museu e seus receptores. Eu gostaria de saber de vocês mais exemplos assim (estudados na disciplina Museologia e Comunicação 1 ou não) e também as opiniões sobre esse tipo de iniciativa.
Bom resto de semana a todos!
Amo muito o trabalho da Fundação Culturespaces, na França, o objetivo principal é dar à crianças pobres e especialmente as adoentadas acesso à cultura e num segundo momento fazer com que elas sejam agentes de cultura em suas famílias contagiando-os e incentivando a preservação do patrimônio, essa fundação hospeda também alguns museus em um site muito bem organizado (http://www.culturespaces.com/) que descobri pesquisando os Museus do Automóvel pelo mundo e então vi algo muito maior, uma rede de museus com um objetivo em comum tornando a área mais forte, talvez nos falte isso:cooperação.
ResponderExcluirO campus do Gama está justamente criando um museu virtual do automóvel e espero que aí haja um viés social, (apesar do objetivo final) os novos tempos estão com certeza registrando de todos os nossos acervos...bom para prevenir perda de memória em casos de catástrofes e também atrativo à vários turistas que ficam curiosos e procuram os museus "reais" em suas viagens.
O museu Virtual em minha opinião pode ser visto como medida de fomento à educação patrimonial e à apreciação espontânea da cultura, sabemos que ela pode gerar dinheiro e que é assim que as pessoas comem, vestem, é assim que o nosso mundo gira, com certeza esses modos de divulgação podem fazer toda a diferença na vida das comunidades inclusive propiciando um futuro acesso às que não tem condições para nada ainda, visto que divulgação é proporcional ao acesso...divulgação adequada, claro.
Eu achei bem interessando um projeto de visitação virtual de algumas igrejas de Ouro Preto, é interessante porque dá pra ver a igreja em 360º, pode aproximar os detalhes, tem informações sobre as imagens, é bem legal... eu não tenho o endereço mas eu vou descobrir e deixo um comentário depois pra quem se interessar. Essa proposta de museus virtuais universaliza o acesso, e isso é o mais importante, tudo bem não ser ao vivo mas acho que a significação é a mesma. E não é só pela questão de ter que viajar pra ver o museu e coisas assim, mas até mesmo os museus que estão perto da gente limitam o acesso por aquela velha visão dos museus como templos, lugares sagrados.
ResponderExcluirConheço o museu virtual de arte brasileira
ResponderExcluir(http://www.museuvirtual.com.br/); além do site era virtual, que possibilita uma visita virtual por diversos museus brasileiros, entre eles, o museu da República.(http://www.eravirtual.org/)
Bem esse espaços virtuais são uma ótima forma de fazer com que um público cada vez maior conheça espaços culturais, como os museus. Pessoas essas, que talvez nunca iriam à esses museus os exploram através desses sites. Além disso, cria nos visitantes virtuais, uma vontade de visitar os espaços físicos desses museus, sendo assim uma outra forma de divulgar e fazer com que as pessoas visitem mais os museus.
O único outro que eu conhecia era o mesmo que o Raniel citou, o Era Virtual.
ResponderExcluirAcho interessante a "virtualização" do museu. Faz com que desperte a curiosidade da pessoa, fazendo com que ela tenha o desejo de explorar mais o lugar, e buscar conhece-lo de perto.
A ideia da Intel foi super simples, e deu muito certo. Eu realmente, adorei.
E é válido incluir o museu no dia a dia das pessoas, e a internet está ai para isso.
Concordo com a Allice quando ela diz que os museus virtuais podem fomentar a educação patrimonial e estimular a apreciação da cultura. Acho ainda que eles possuem um papel importante ao proporcionar um contato entre o indivíduo e o patrimônio e ao possibilitarem uma apreciação que por diversas razões - não só geográficas - seriam impossíveis de outra forma. Para mim, esse é o grande atrativo do Google Art Project, que proporciona não apenas a visitação virtual a museus europeus ou norte-americanos, como também permite uma aproximação das obras, com uma riqueza de detalhes, que não poderia ser atingida nem pessoalmente. Acho bem legal esse vídeo (http://www.ted.com/talks/lang/eng/amit_sood_building_a_museum_of_museums_on_the_web.html) com o idealizador do Google Art Project, no qual ele explica as razões que o fizeram ter essa idéia, o que me fez gostar ainda mais do projeto.
ResponderExcluirTambém acho bem interessante esse Era Virtual que o Raniel citou. Tenho uma ressalva, porém, com o Museum of Me da Intel. Me desagrada um pouco a idéia do museu utilizado como um item de propaganda. Na minha opinião, o museu nesse projeto perde completamente as suas características mais importantes. A única semelhança que consigo perceber é na apropriação da forma de exposição dos museus. De resto, tudo ali me parece ir justamente na direção contrária do que os museus deveriam ser. Ele não transmite informações, não promove inclusão, não estimula o conhecimento, é apenas mais uma publicidade de uma empresa mais um instrumento das redes sociais disfarçados de algo interessante.
Esse papo tem sempre dois lados da moeda. É uma linha muito tênue entre o conceito do que é museu, do que se propõe, quem se quer atingir.
ResponderExcluirConcordo com a Fernanda. O Museum of Me, da Intel não acrescenta nada a ninguém. É só mais uma tentativa comercial. Não faz seus amigos da rede social terem vontade de visitar uma galeria, não faz com que pensem o que é museu. Apenas expõe de uma forma diferente as pessoas com que você mais se relaciona na rede. Ao invés de colocar as fotos por tamanho numa grade fotos, coloca numa suposta parede com algumas pessoas como se fossem passantes. Para mim não é museu. E para mim, nem para levantar o próprio ego serve. Só o dos outros.
O projeto do Google eu acho fantástico. Em quadros como os do Bruegel, por exemplo, que em livros ou mesmo no museu não se consegue ver tudo, é muito interessante. Dá a possibilidade de se ultrapassar aquela linha que não nos permite chegar tão perto da obra. E o fato de ser dividido por galerias e não por autor (por diversas questões, obviamente), faz com que se conheça um pouquinho da arquitetura do lugar. E além disso, há lugares que não são mostrados. Fica então a vontade de conhecer para se ter uma noção na íntegra do que realmente é o museu.
Agora o Museu da Favela, na minha opinião, é o que deve ser mais discutido. Não só aqui, mas em aula também. É onde deve ser realmente investido. Nas pessoas. E esse museu é uma tentativa muito feliz de lidar com a comunidade, criar um laço e fazer nascer uma vontade de que aquilo permaneça. Afinal, se a gente não der valor, o que vai ficar?
Me lembra muito uma fala de um artista ganhador do prêmio TED, o JR. Ele tem essa noção e trabalha com ela no mundo todo. Faz com que a arte dele seja útil para que fique. Segundo ele, o museu tem que acontecer na rua.
Ele fez um trabalho muito interessante no Rio.
Segue o link para a fala dele: http://www.youtube.com/watch?v=0PAy1zBtTbw
Concordo com todos que desenvolveram seu pensamento e comentaram acerca da função divulgadora dos museus virtuais, despertando o interesse em conhecê-los de fato, presencialmente, e estimulando a disseminação cultural. Dessa forma o acesso à informação se torna mais democrático e, consequentemente, a construção do conhecimento se torna possível. Mas a meu ver os museus virtuais não devem ser considerados uma categoria de museu, visto que sua função museal é limitada ao campo divulgador e informacional. Para mim, a relação com um museu é fundamentada na relação que se tem com os objetos contidos naquele ambiente: a materialidade é necessária, até mesmo quando estamos nos referindo a acervos imaterias, como pode ser observado no caso do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Não estou desmerecendo o meio virtual de visualização das obras, é incrível poder observar melhor e apreender certos detalhes que muitas vezes nos passam despercebidos a olho nu. Sou uma das pessoas fascinadas pelo Google Art Project, achei uma iniciativa brilhante, mas que idealmente não deveria se encerrar nele mesmo, e sim servir como um ponto de partida (visto que claramente não é possível à maioria esmagadora das pessoas sair visitando museus pelo mundo). Utilizando uma comparação bem tosca, mas que pra mim ilustra muito bem: é interessantíssimo ver fotos de diversos lugares do mundo, saber como são, visualizar... Mas uma fotografia ou um multimídia qualquer não tem a capacidade de superar uma viagem a esses lugares. O virtual jamais deverá ser considerado como um substituto do real. Digo isso até sensorialmente. Os museus também têm o poder de nos proporcionar uma certa imersão em diferentes mundos, diferentes épocas. Uma exposição não consiste somente em ver determinada obra. Existe todo um trabalho com iluminação, cores, sons, a maneira como as peças se apresentam, suas posições.
ResponderExcluirDeixo claro que essa é a minha opinião e estou aberta a discussões.
(:
Conheço o da Era Virtual que o Raniel citou, o de Ciência e Tecnologia, da própria UnB (http://www.museuvirtual.unb.br/), que porém não tem toda essa dinâmica de "se sentir dentro do próprio museu", mas é bem interessante, o National Gallery of Art nos EUA (http://www.nga.gov/exhibitions/webtours.htm), o Museu do Louvre, França (http://www.louvre.fr/llv/musee/visite_virtuelle.jsp?bmLocale=fr_FR). Enfim, há inúmeros museus virtuais. Concordo inteiramente com a Allice em respeito à esses tipos museus.
ResponderExcluirFora do âmbito virtual, há um exemplo bem semelhante ao MuF aqui citado que é o Museu da Maré também situado no Rio de Janeiro (http://www.museudamare.org.br/joomla/). AS propostas são praticamente as mesmas e também é situado em uma favela. Outro exemplo é o Museu da Dona Eva, em Penedo - Itatiaia - RJ (http://www.penedo.org/h_cultura.htm). A cidade é uma pequena colônia finlandesa, e o museu cultiva até hoje essa cultura, assim como a cidade, que ainda têm um pouco da essência finlandesa, valorizando assim, a cultura, que um dia habitou naquele local muito tempo atrás. Resumindo, é um pouco da Finlândia no Brasil. Para mim é algo espetacular, visto que adoro a cultura finlandesa.
Acho que esses tipos de museu sempre desperta um interesse em algum tipo de público, e de uma maneira ou de outra, acaba também tendo um certo valor educacional e curioso. Além de tudo, vejo os museus virtuais como uma grande chance de visualizar um museu que está longe e você não tem condições de estar sempre visitando, como por exemplo o Museu do Louvre na Europa.
Com certeza, esse tema tratado aqui, é um modo de aproximar culturas e de fornecer aprendizagem. Mas vai depender do interesse de cada um.
Primeiro, quero externar minha raiva: toda vez que tento postar neste blog, ele apaga o meu comentário e não posta nada!!!!!! Aí eu perco tudo que escrevi e tenho que começar tudo de novo! Que perda de tempo...
ResponderExcluirFalei que acho a virtualidade uma ferramenta de comunicação dos museus com as pessoas e com o mundo. Os sedutores recursos virtuais são capazes de atrair o internauta para uma visita pessoal ou estabelecer com ele uma interatividade ou servir-lhe de fonte de pesquisa, de conhecimento, de entretenimento. Só acho que tem que haver coerência entre o que é mostrado no site e o que o museu realmente é, pois um site maravilhoso de um museu horroroso causa decepção e espanta qualquer visitante.
A virtualidade é também um recurso de sobrevivência do museu, pois quem não é visto não é lembrado e, hoje em dia, quem não está na net não está acessível. Outra grande vantagem da virtualidade, associada à anterior, é a transposição da barreira física, pois o museu passa a poder ser conhecido mundialmente.
Enfim, sabendo usar em proveito próprio e de usuários, a virtualidade é um recurso fundamental e muito útil.