domingo, 12 de junho de 2011

Plano Museológico pt. 1

Gostaria de propor uma análise sobre os planos museológicos que estão sendo confeccionados por vocês, não é necessário que vocês coloquem na íntegra o que optaram por escrever nos respectivos planos, mas quero saber o que acham de fundamental na produção de cada um dos programas.
Comecemos então com os programas institucional e gestão de pessoas, relatem a experiência da construção desses dois programas, desde as partes mais bacanas até as dificuldades.

Programa institucional contém o que? Missão? Visão? Objetivos? Estratégias? Metas? E o Programa gestão de pessoas? Organograma? Funções?

E depois das possíveis respostas, por que no plano museológico deve conter um programa institucional e um programa de gestão de pessoas? (Percebam que por mais que a pergunta seja óbvia é necessária a compreensão sobre as nossas necessidades profissionais e as necessidades das instituições em que iremos trabalhar).

Boa semana!

6 comentários:

  1. No plano institucional, além dos itens que a Anna já mencionou, eu estou pesquisando sobre: Associação dos amigos do museu; regimento interno; participação em redes temáticas nacionais e internacionais; vinculação a uma unidade da federação ou não; participação no SBM; realização de convênios de gestão, etc.
    No plano de RH: ações para a valorização, capacitação e bem estar dos trabalhadores do museu; necessidade de ampliação do quadro de pessoal; contratação de estagiários; voluntários; participação em cursos; parcerias com outras instituições para a contratação do pessoal, etc. Eu vou fazer sobre o Memorial dos povos indígenas.
    Ambos os planos se completam, por isso eles são importantes. O primeiro diz o que é o museu, sua estrutura, suas relações com outros museus, sua participação em redes e as perspectivas para o futuro. No entanto, todas essas ações só são viáveis com a parte dinâmica e viva do museu: seus funcionários. Afinal, o museu é feito por gente e para gente. O aporte profissional do museu deve estar preparado não somente para manter a instituição(isso é fácil), mas também para realizar a constante renovação do museu, que só pode ser pensada por profissionais capacitados. A unidade dos diversos setores do museu é fundamental, além do bem estar de todos.O primeiro plano está no papel, o segundo que coloca a coisa na prática.

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  2. Ashley, gostei da sua abordagem. Temos que ter clareza sobre a utilidade do plano museológico e mais ainda sobre quem faz e para quem faz. Essa certamente será uma lição para quem for cursar Museologia e Comunicação II, entender as necessidades dos possíveis receptores. Uma política no campo dos museus como é o estatuto de museus deve ser problematizada, mas isso só ocorre se nos debruçarmos sobre ela. Mencionei o estatuto, por que lá aparece o nosso tão trabalhoso plano museológico.

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  3. Bom gente, eu resolvi fazer sobre o "Museu da Casa de Farinha", de São Gabriel na Bahia (a cidade em que eu morava, o museu na verdade é fictício, porém a idéias e as fundações de apoio a esse museu existem. Como um museu de pequeno porte, por estar até justamente alocado em uma cidade com 20 mil habitantes, as decisões tomadas em sua maioria são juntamente discutidas com a população. O meu maior desafio, será que a população conheça o museu como um espaço de lazer.
    No programa institucional, defino o porque do “Museu da Casa de Farinha”, sua missão, objetivos, estratégias, metas, e outros. Ai surge minha dificuldade, como já existe uma fundação (fundação CulturArte) de apoio a criação do museu, tenho dificuldade de definir o limite que existirá entre a administração do museu e a ”amigos do museu”, porque o museu ainda será construído, o acervo será formado e a demais políticas serão construídas nesse plano. Anna ai, eu não sei se é certo, envolver os amigos do museu, nesse processo de construção e firmação das políticas!
    Quanto ao programa de gestão de pessoas, já tenho mais definido, começo primeiro pelo projeto de chamar a população a conhecer o que seria esse museu, consegui voluntários, e garanti que todos os profissionais que venham a trabalhar nessa instituição, a conheça. E o bom de começar tudo do zero, é poder programar, o que se pretende para cada função dentro do museu.

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  4. Oi Poliana!
    Envolver a comunidade é o canal, desde que se tenha clareza acerca das questões políticas e o por que a comunidade deve participar desse projeto, sem que se torne apenas uma idéia de cunho técnico museológico.
    Sobre o Museu ser vinculado a uma secretaria, isso pode ser um problema, pois se a instituição não é uma pessoa jurídica, provavelmente tudo terá que passar pela secretaria que o coordena/gerencia/tutela, e justamente a associação de amigos do museu terá importante função nesse processo, participando por exemplo na criação de projetos para editais do IPHAN, IBRAM, BNDES, etc. A associação se torna a pessoa jurídica do museu sem ferir a instância superior do museu, no caso a secretaria de cultura. No entanto, a secretaria deve estar ciente sobre a associação e deve ser avaliado se associação poderá existir juridicamente.
    Você verá que alguns museus de Brasília, precisam conseguir financiamento a partir de editais e por isso precisam de uma associação de amigos do museu, que tem regimento, ou seja, normativas para funcionar.
    Atenção!!!
    Atente-se sobre a escolha dos profissionais no programa de gestão de pessoas.
    Qual é a necessidade nesse primeiro momento do museu? Para desenvolver a ação educativa é necessário um pedagógo? Para desenvolver a divulgação/comunicação do museu é necessário um comunicólogo? Bom, faça essas reflexões.

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  5. O meu trabalho é sobre o Museu de Arte e Tradição do Nordeste, mantido pela Casa do Ceará na 910 Norte. Já fiz um estudo nesse museu, mas foi especificamente sobre a coleção de esculturas de barro de Mestre Vitalino. Pelo que observo (só observo, nunca pesquisei isso) nós brasileiros ainda não desenvolvemos adequadamente a cultura do planejamento; as ações são tomdas "a toque de caixa" em cima das exigências e urgências do dia a dia. Poderiamos fazer um enquete com os nossos alunos perguntando a cada um: "Você planeja o seu semestre, delimita todas as etapas do plano de ensino/ementa das disciplinas, elaborando um cronograma para realizá-las". Eu antecipo a minha resposta: não. Pelo que observo, seguimos, com exceções, a máxima "deixa a avida me levar".

    Nas empresas, aí, incluindo os museus, não creio que a coisa seja muito diferente. Mas deveria ser. Como planejar não é uma fórmula infalível de se evitar que os objetivos se transformem em surpresas e em frustrações, é interessante que quem planeja deva se atinar ao fato de que, diante do dinamismo e das contingências da vida, certos planejamentos podem naufragar pelo meio do caminho se o timoreiro não tiver a austúcia de mudar o rumo, refazer a rota e adaptá-los as intempéries que o futuro impõe, inflexivelmente.

    Quanto, a sua pergunta Anna, a resposta é depende. Conheço um engenheiro de redes especialista em planos de cargos e um físico que conhece muito de comunicação. Entendo que um museu, ou qualquer instituição, precisa de pessoas capazes. Mas é evidente quem são os pedagogos dos quais primeiro nos lembramos quando o assunto é projeto educativo. Como nos lembramos primeiramente do museólogo quando o assunto é reserva técnica, por exemplo. Entretanto, uma coisa é certa: a interdisciplinaridade está vencendo, aos poucos, o catedratismo. Isso é algo muito positivo do ponto de vista do conhecimento. E negativo, do ponto de vista da reserva de mercado. Mas o que queremos: que os nossos professores sejam museólogos ou que entendam de museologia? Que o museu funcione ou que tenha museólogo? É claro que se unirmos os dois (conhecimento e título), tanto melhor!

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